Meme dos Filmes: Invadimos a festa alheia e com 31 posts sobre cinema
A ideia do Meme dos Filmes não é nossa, é do blog Borboletas nos Olhos(muito legal, por sinal), mas é tão boa que decidimos nos convidar para entrar. É o seguinte: são 31 posts sobre filmes, um por dia, cada um com um recorte diferente. Tem “Filme da Vida”, “Melhor Sessão da Tarde”, “Melhor Sequência Inicial e Final” e vários outros. Como chegamos atrasados na festa, o lance é virar umas cachaças pra acompanhar o pessoal: vão alguns aqui acumulados pra tirar o atraso. A lista completa dos temas está no final do post. Mais tarde a gente publica um outro post com o tema do dia 7, “Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios”. Aviso aos incautos: é bem capaz do texto ter spoilers, então, vai lendo devagar.
Dia 1: Filme da Minha Vida
O tema “filme da minha vida” é complicado, meio grave. Ainda mais nessa Horda, formada por dois integrantes, de vidas próximas, mas separadas. Se fosse o mais velho, por exemplo, teria chance de escolher Campo dos Sonhos, do tempo em que o Kevin Costner era uma estrela, e que foi dos primeiros filmes que eu chamei de “meu favorito”. Mas como a decisão é coletiva, fechamos num beeem melhor: O Poderoso Chefão.
Não é só pelas atuações impecáveis do elenco todo (sobrenaturais, no caso do Brando e do Pacino). Não só pela direção magistral, que faz com que a câmera transite entre o olhar do espectador (na sequência do casamento, quando a distância dá um clima de paparazzi) e o dos personagens (a cena do restaurante, transmitindo toda a tensão de Michael). Não e a coleção de cenas absolutamente legendárias (a surra de Sonny no cunhado, a sequência do batizado).
O principal motivo é o seguinte: são poucos os filmes que conseguem tão bem ser legais, cool, divertidos e ao mesmo tempo geniais do ponto de vista formal do cinema. E isso traduz muito do que a gente acha que a vida tem de bom. Não precisa ser mala pra ser inteligente e não precisa ser tosco pra ser legal pra caramba.
Dia 2: Melhor sequencia Inicial
Deve dar uns vinte minutos no total, mas valem mais que muito filme inteiro. É o começo de UP – Altas Aventuras, animação da Pixar. Mostra duas crianças se conhecendo, crescendo, se apaixonando, construindo coisas juntos, envelhecendo e, bem, se separando… Triste como, bem, a vida. Boa parte da história é contada só com imagens. Da mesma forma acontece com as primeiras cenas do personagem principal solitário – não apenas por ter perdido a espoca, mas por não encontrar espaço para seu jeito e suas coisas em seu próprio bairro, onde sua casa térrea sevê hoje espremida pela obra de alguma construção imensa (lembram da mão do incorporador pondo a mão na cerca? Sutileza, sutileza). Quando os balões sobem, eu estou chorando e gritando interiormente “Dá neles, tiozinho!!”
Aqui vai a linda história do casal:
Melhor sequência final
A coisa começa com um gole de uísque, o primeiro tomado por William Munny em anos, desde que deixou a vida de pistoleiro e ladrão. Continua com chuva, como não poderia deixar de ser, e dentro de um também indefectível saloon. Os homens lá dentro festejam. Na porta, a causa da celebração: o cadáver do invasor, um homem negro chamado Ned. Will Munny entra no lugar sozinho, armado com uma espingarda. Todos congelam.
- Quem é o dono dessa espelunca?,ele pergunta.
- Eu sou o dono desse estabelecimento. Quem pergunta?
- É melhor vocês se afastarem, rapazes, diz Munny a alguns homens perto do dono do bar. E atira.
- Seu louco! Ele estava desarmado!,diz Little Bill, o xerife.
- Pois ele devia ter arranjado uma arma depois de ter decorado seu bar com meu amigo.
Esse é o começo dos 15 minutos finais mais eletrizantes de que me lembro. O filme, para quem não reconheceu, é Os Imperdoáveis, que deixou claro que o Clint Eastwood era um baita diretor. De arrepiar.
Vai o final, obviamente um big de um spoiler:
Dia 3 – sessão da tarde inesquecível
Uma meleca branca é encontrada minando da terra e, por qualquer motivo além da lógica, ela é gostosa pra caramba. Essa é a premissa inicial de A Coisa (the Stuff) filme de terror B (está mais pra J… T) de 1985 que não passava na Sessão da Tarde, mas no primo Cinema em Casa.
O problema é que a gosma – depois de ultra comercializada e de viciar todo mundo – começa a trazer sintomas bizarros, que só o personagem principal (que se recusa a comer a coisa) e outros poucos percebem.
Bizarramente, nesse filme esquisitíssimo e engraçado de tão pobre de recursos, tem uma crítica bem feroz ao consumismo descerebrado. Crítica feroz embora nada sutil: pessoas literalmente (e metaforicamente) ocas de tanto consumir “stuff” perseguem o personagem principal como zumbis famintos, tentanto levar ele para o mundo da gosma branca e da felicidade sem pensamento.
É mole?
Dia 4 – Melhor Diretor
A escolha difícil desta Horda acabou indo para Quentin Tarantino, mas não como um abstrato “melhor diretor de todos os tempos”, mas sim por este ser – assim como Wolverine – o melhor no que faz.
O que nos faz escolher Tarantino é seu cinema de cinéfilo apaixonado, que domina referências e constrói o exemplo mais divertido e coerente de “pastiche” (colagem) que a cultura ocidental recebeu em muito tempo. Desde sua homenagem/adaptação do estilo do Blaxploitation em Jackie Brown (aliás, está rolando uma mostra deste estilo, saiba mais no nosso post) até sua mistura estranha de cinema chinês de artes marciais e duelos de western em Kill Bill. Tudo em Tarantino tem um estilo maravilhosamente único e uma atenção a detalhes que faz cada filme digno de milhares de re-assistidas.
Some a isso tudo diálogos geniais, que transformam cenas longas – que em mãos menos hábeis poderiam se tornar entediantes – em obras primas. Basta lembrar do diálogo entre Hans Landa e Monsieur LaPadite em Bastardos Inglórios ou do maravilhoso “what does Marsellus Wallace Look like?” (nossa citação de sabedoria da vez na home) e fica difícil negar a capacidade do rapaz de dar vida a personagens e situações com palavras bem colocadas.
Como se não bastasse o distinto é fã de quadrinhos, não dava pra negar esse post a ele.
Dia 5 – Melhor Ator e Atriz
Na boa, não conseguimos ainda definir melhor ator e atriz. Empacamos. O Marlon Brando fez o Chefão, mas até aí o Robert De Niro e o Al Pacino também. E o De Niro ainda fez o Touro Indomável, e o Pacino o Perfume de Mulher. Mas o Brando apareceu só 15 minutos no Apocalipse Now e roubou o filme. Mas e o Ralph “Voldemort” Fiennes? Tem cara mais versátil, de Lorde das Trevas,a diplomata bonzinho no Jardineiro Fiel, a louco incompreensível em Spider? Bom, o Daniel Day Lewis foi moleque irresponsável e ativista durão no mesmo Em Nome do Pai e eu ainda tenho certo medo de Bill, theButcher. Fechou esses cinco? Mas sem incluir o Sean Penn, depois do que ele fez no memso ano em Sobre Meninos e Lobos e 21 Gramas? E o Javier Barden? Enfim, ficou difícil.
Entre as mulheres, a briga é parecida. Meryl Streep tem alguns corpos de vantagem pela quantidade de boas atuações, como a sutileza de As Pontes de Madison e As Horas. Mas neste último tem a Nicole Kidman, que também tem dificuldade de errar. E as mais novas, como a Marion Cotillard, perfeita como Piaf e marcante num papel pequeno como o de Origem? E indo mais atrás, e a Giulietta Masina, musa de Fellini e eterna Cabíria? Enfim, tá feio o negócio. Reduzimos a lista, mas deixamos para a posteridade a escolha de um nome apenas.
Dia 6 – Melhor Terror
Esse nome vai se repetir um pouco entre todo tipo de lista de “melhor filme” ou “melhor terror”, mas o que a gente pode fazer? O Iluminado de Stanley Kubrick é bom demais para não ser homenageado.
Juntando talvez a melhor atuação que Jack Nicholson teve em sua nada medíocre vida com um romance do ultra-criativo Stephen King e a câmera de um dos melhores diretores que o ocidente já pariu, a coisa fica difícil de dar errado.
O Iluminado é brilhante no aspecto formal, confinando o espectador na paleta de cores do hotel e nos jogando aos poucos na loucura junto com Jack (só um exemplo possível de análise). Mas o que mais fascine neste filme é o puro e desgraçado medo do desconhecido. Sutileza quando necessário e choque quando achamos que estamos seguros; Kubrick controla nossas emoções durante toda a película e nos deixa para sempre pensando no que aconteceu com aquela família. Sério… forever anda everandever…
Veja a lista completa do que ainda vem por aí:
Dia 7 – Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios
Dia 8 – Filme Cebola (mais triste de todos)
Dia 9 – Filme mais romântico
Dia 10 – Melhor filme de guerra
Dia 11 – Melhor drama
Dia 12 – Melhor Ano da História do Cinema
Dia 13 – Maior roubada cinematográfica
Dia 14 – Batendo Papo (melhor diálogo)
Dia 15 – Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível)
Dia 16 – Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole
Dia 17 – Brasileirão
Dia 18 – Melhor Animação
Dia 19 – O melhor Faroeste
Dia 20 – Melhor comédia romântica
Dia 21 – Preto no Branco (Melhor Noir)
Dia 22 – So you think you can dance (melhor musical)
Dia 23 – Melhor DR
Dia 24 – Melhor par romântico
Dia 25 – Meu Vilão Favorito nos Filmes
Dia 26 – Unha e Carne (Melhor Amizade)
Dia 27 – Porrada (melhor cena de violência)
Dia 28 – Quente e Úmido (melhor sequência de sexo)
Dia 29 – Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição)
Dia 30 – Nunca mais (filme mais traumático)
Dia 31 – Minha Vida em 3 sequências







POST PERFEITO a minha opinião seria diferente em: Melhor sequência inicial (Colocaria a morte do Comediante em Watchmen), e meu diretor favorito que é o Zack Snyder.
Valeu, João! Tenho minhas prevenções de purista de quadrinhos com o filme do Watchmen, mas a abertura com a música do Bob Dylan ficou legal mesmo. Outras aberturas muito foda são do próprio Poderoso Chefão e do Trainspotting: “Choose a life. Choose a job.”
Olha, me diverti muito com o post de vocês. Que bom que decidiram participar. Eu pensei um bocado em colocar O Chefão como o filme da minha vida (assim como o personagem do Tom Hanks em Mensagem pra Você, né). Todas as outras escolhas foram interessantes também, valiam um longo comentário (mas não vou entediá-los).
Só pra avisar, nós atualizamos os tópicos e trocamos Guilty Pleasure por melhor Filme de Guerra, ok?
PS. Ainda mais trash que A Coisa é um filme chamado A Bolha. Olha, bom demais, aquela geléia enorme tragando as pessoas…
Adorei as escolhas, mas uma observação: o Guilty Pleasure foi trocado, no meme original, por Melhor Filme de Guerra.
Oi Tina e Luciana! Valeu mesmo pela visita e pelos comentários – sem falar de puxar o meme do filme, divertidissimo – já alteramos para melhor filme de guerra.
Aguardem xeretadas e comentarios nas suas listas =D
Beijos
Nossa, que ótimo começo! Adorei o atraso, assim surgiu este post delicioso! E, ah, Jack Jack Jack Nicholson… justa homenagem ao Iluminado, que ele apareça em muitos tópicos do meme.
Abçs
Rita